Em abril, ocorreu um surto de Ebola na província de Ituri, na República Democrática do Congo (RDC). O vírus também foi diagnosticado em 2 pessoas em Kampala, capital de Uganda, embora ambos os pacientes tivessem chegado recentemente da RDC. Em 17 de maio, a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou a situação uma Emergência de Saúde Pública de Importância Internacional. Ao mesmo tempo, a organização ressaltou que não se trata de uma pandemia e que o cenário exige monitoramento, não fechamento de fronteiras. Entenda por que viajar para a Tanzânia continua sendo seguro.
Surto de uma cepa rara de Ebola: linha do tempo
- 24 de abril. Um paciente com febre alta, sangramento e vômitos foi internado em um hospital em Bunia, na província de Ituri, uma região remota no nordeste da RDC. O paciente era um profissional de saúde local, considerado a primeira pessoa infectada. Rapidamente ficou claro que não se tratava de um caso isolado, pois outros pacientes com sintomas semelhantes começaram a chegar aos hospitais.
- 5 de maio. A OMS recebeu relatos de um surto de uma doença não identificada, com alta taxa de letalidade, na região afetada. Naquele momento, os primeiros testes para Ebola deram resultado negativo. Uma equipe de especialistas foi enviada imediatamente à RDC.
- 14–15 de maio. Testes laboratoriais ampliados identificaram o vírus Bundibugyo, uma cepa mais rara de Ebola. Isso explica por que os testes iniciais haviam sido negativos. Até então, o número de casos suspeitos na RDC já se aproximava de 250, enquanto 2 casos adicionais foram confirmados em Kampala, Uganda. Ambos os pacientes haviam viajado recentemente da RDC.
- 15–17 de maio. O Ministério da Saúde da RDC declarou oficialmente o 17º surto de Ebola da história do país. A Organização Mundial da Saúde classificou a situação como uma emergência de saúde pública de importância internacional.
Viajar para a Tanzânia é seguro
Segundo o comunicado oficial da OMS, apesar da gravidade do surto, não se trata de uma pandemia, e não há recomendação para que qualquer país feche suas fronteiras. As medidas recomendadas incluem vigilância reforçada, ações preventivas e rastreamento de contatos. É importante destacar que nenhum caso de Ebola foi detectado fora da RDC e de Uganda. Por isso, não há motivo para pânico.
Como o vírus Bundibugyo se transmite
Esta é, de fato, uma cepa rara e perigosa de Ebola, pois ainda não há vacinas aprovadas nem tratamentos desenvolvidos especificamente para ela. No entanto, segundo a OMS, a detecção precoce e os cuidados de suporte aumentam significativamente as taxas de sobrevivência.
O ponto essencial é que essa doença não se transmite pelo ar como a Covid-19. O vírus Bundibugyo se espalha apenas por contato direto com fluidos corporais de uma pessoa infectada, incluindo sangue, vômito e outras secreções. Em outras palavras, a infecção só pode ocorrer ao cuidar de uma pessoa doente ou pelo contato com instrumentos médicos contaminados.
Durante uma viagem à Tanzânia, seja em safári, na subida ao Kilimanjaro ou em dias de descanso em Zanzibar, os viajantes não ficam expostos a essas cadeias de transmissão. A ausência de risco para quem viaja à Tanzânia também aparece nas orientações do Departamento de Estado dos EUA. Em 17 de maio, em meio ao surto de Ebola, o departamento elevou os alertas de viagem para a RDC e Uganda ao nível máximo. Nenhuma alteração semelhante foi feita para a Tanzânia.
Distância do epicentro do surto
A província de Ituri, onde ocorreu o surto de Ebola, fica no nordeste da RDC, perto da fronteira com Uganda. A região está distante da Tanzânia e ainda mais longe das principais áreas turísticas do país.
As cidades de Arusha e Moshi, por exemplo, são os principais pontos de partida para viajantes que seguem ao monte Kilimanjaro ou fazem safáris no Serengeti, no Ngorongoro e em outros parques nacionais. A distância dessas cidades até Bunia, na província de Ituri, é de aproximadamente 1.300–1.400 km, enquanto Kampala, em Uganda, fica a cerca de 900–1.000 km. É uma distância comparável à que separa Nova York de Chicago. Zanzibar e Dar es Salaam, a maior cidade da Tanzânia, ficam ainda mais longe.
Surtos anteriores de Ebola em Uganda e na RDC
Como mencionado acima, este está longe de ser o primeiro surto de Ebola, incluindo surtos da cepa Bundibugyo, nesses países.
Em Uganda, surtos de escala semelhante ou até maior ocorreram em 2000, 2007, 2011, 2012 (2 vezes), 2019, 2022–2023 e 2025. Na República Democrática do Congo, surtos foram registrados em 1976, 1977, 1995, 2007, 2008–2009, 2012, 2014, 2017, 2018 (2 vezes), 2020, 2021 (2 vezes), 2022 (2 vezes) e 2025.
Nenhum desses surtos, ao longo dos últimos 50 anos, chegou à Tanzânia. Ainda assim, as autoridades do país adotaram medidas preventivas. Segundo Erasto Sylvanus, diretor de Preparação e Resposta a Emergências do Ministério da Saúde, o governo da Tanzânia está trabalhando em estreita colaboração com a OMS e com os países vizinhos. A vigilância e as triagens de saúde nas fronteiras com a RDC e Uganda foram reforçadas; equipes de especialistas foram enviadas a áreas de possível alto risco; hospitais em todo o país foram colocados em estado de alerta; e o monitoramento de pacientes com sintomas compatíveis foi intensificado.
Como a Altezza Travel está operando nas condições atuais
Seguimos operando normalmente. Nossa equipe em Moshi monitora a situação em tempo real por meio de canais oficiais. No momento, não há motivo para alterar roteiros ou adiar viagens.
Se a situação mudar, informaremos nossos clientes imediatamente, antes mesmo que a notícia chegue aos veículos de imprensa.
Atualizado em 20 de maio: as autoridades da Tanzânia introduziram medidas adicionais de segurança em todos os pontos de entrada nas fronteiras:
- Todos os viajantes que chegam da República Democrática do Congo (RDC) e de Uganda, ou que transitaram por esses países, agora devem preencher corretamente o Formulário de Vigilância do Viajante. Isso pode ser feito com antecedência em www.afyamsafiri.moh.go.tz ou na chegada, em formulário impresso.
- Em todos os pontos de entrada no país, incluindo aeroportos, passagens de fronteira terrestres e portos, os viajantes passarão por triagem de saúde, inclusive medição de temperatura. Qualquer pessoa com suspeita de sinais ou sintomas de Ebola ou de outra doença infecciosa será encaminhada de acordo com os procedimentos nacionais de triagem da Tanzânia.
- Qualquer veículo, carga ou restos mortais com suspeita de contaminação por Ebola ou por outra doença infecciosa será descontaminado no ponto de entrada.
- Viajantes e operadores de transporte são orientados a seguir medidas de prevenção e controle de infecções, incluindo higiene das mãos, uso de álcool em gel e evitar contato físico desnecessário.
- Os viajantes também receberão informações de saúde e são orientados a monitorar possíveis sintomas de Ebola ou de outras doenças infecciosas, procurar a unidade de saúde mais próxima ou ligar para o número gratuito 199 caso os sintomas apareçam.
Abaixo está o documento oficial publicado pelo governo da Tanzânia:
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