O que torna um país realmente perigoso? Em geral, trata-se de uma combinação de fatores: alto risco de terrorismo, conflitos armados em andamento, instabilidade política, crime organizado disseminado e ameaças persistentes à segurança.
Em algumas partes do mundo, o perigo ultrapassa limites razoáveis – regiões inteiras são controladas por terroristas ou grupos rebeldes, e o crime passou a fazer parte da vida cotidiana. Viajar para esses lugares envolve risco extremo.
A equipe editorial da Altezza Travel analisou mais de 12 estudos e relatórios de importantes organizações internacionais para elaborar uma lista dos países mais perigosos da África.
Metodologia de avaliação
A lista dos países africanos mais perigosos foi elaborada com base nos resultados de todos os índices abaixo. Em cada um deles, selecionamos de 7 a 10 países com os piores indicadores. Os mais citados entraram na nossa lista.
Utilizamos as seguintes fontes:
- Índice Global de Terrorismo: avalia o nível de ameaça terrorista com base no número de ataques, mortes, feridos e reféns. Elaborado pelo Institute for Economics and Peace, abrange a dinâmica recente em 163 países.
- Índice Global da Paz: avalia o nível de paz, incluindo conflitos internos e externos, instabilidade política, índices de criminalidade e militarização. Também é elaborado pelo Institute for Economics and Peace.
- Índice Global de Escravidão: mede a prevalência de trabalho forçado e tráfico de pessoas, incluindo a exploração de mulheres e crianças. Desenvolvido pela Walk Free Foundation.
- Índice de Estado de Direito: reúne e organiza dados sobre a eficácia dos sistemas judiciais e o cumprimento das leis, incluindo acesso à justiça, direitos de propriedade e direitos humanos. Elaborado pelo World Justice Project, com base em pesquisas com especialistas e cidadãos.
- ACLED (Armed Conflict Location & Event Data Project): registra dados sobre conflitos violentos, protestos, confrontos armados e atividade terrorista.
- Estudo Global sobre Homicídios: conduzido por uma unidade da ONU com base no número de homicídios intencionais por 100.000 habitantes, permitindo avaliar a criminalidade violenta.
- Índice de Segurança: amplo trabalho analítico do Global Residence Index, baseado em estudos sobre taxas de mortes violentas, sequestros, riscos políticos, mortes por desastres naturais e acidentes de trânsito.
- Índice de Criminalidade: classifica os países por níveis de criminalidade, incluindo agressões nas ruas, roubos, furtos de carros, fraudes e tráfico de drogas. Elaborado pela Numbeo por meio de pesquisas, reflete a percepção dos cidadãos sobre ameaças e segurança.
Também utilizamos outras fontes de autoridade, incluindo o Departamento de Estado dos EUA, a empresa de análise Statista, o Índice Global de Crime Organizado e outras.
Mali
- Capital: Bamako
- População: 23,1 milhões
Bem-vindo ao Sahel – a região mais pressionada em termos de segurança e estabilidade. Ela se estende pelo continente entre o deserto do Saara e terras mais férteis. Frequentemente descrito como uma das áreas mais pobres do mundo e um “ponto de pressão” do continente, o Sahel reúne muitos dos países mais perigosos da África e do mundo, especialmente nos últimos anos, devido ao aumento da atividade terrorista.
A República do Mali fica na África Ocidental e faz fronteira com Senegal, Mauritânia, Argélia, Níger, Burkina Faso, Costa do Marfim e Guiné. O país ocupa o 3º lugar no mundo em ameaça terrorista e o 154º em nível de paz.
No Índice de Estado de Direito, o Mali aparece em 141º lugar entre 142 países no critério “Ordem e Segurança”. O Estudo Global sobre Homicídios dedica, inclusive, um capítulo específico ao país. Pesquisadores reuniram dados de homicídios a partir de fontes públicas, incluindo a imprensa, entre janeiro de 2020 e outubro de 2021. Foram encontrados 439 relatos de assassinatos. Apenas 2 casos traziam informações sobre prisões, e 47 registravam o início de uma investigação.
No Índice Global de Crime Organizado, o Mali ocupa a 50ª posição no mundo e a 15ª na África. Tráfico de pessoas, inclusive crianças, comércio ilegal de armas, medicamentos falsificados, desmatamento e caça ilegal, tráfico de drogas e corrupção disseminada são problemas recorrentes.
“Interesses criminosos no Mali penetraram estruturas e instituições do Estado, resultando em corrupção desenfreada, apropriação indevida de recursos e envolvimento em assuntos políticos e econômicos que facilitam o crime organizado transnacional”, afirma o relatório.
Burkina Faso
- Capital: Ouagadougou
- População: 23,8 milhões
Localizado na África Ocidental e também parte da região do Sahel, Burkina Faso ficou em 1º lugar no Índice Global de Terrorismo de 2024, superando Afeganistão e Iraque, que haviam dominado o ranking por 13 anos. Em 2023, o país registrou 258 ataques terroristas, que mataram 1.907 pessoas – quase 25% de todas as mortes por terrorismo no mundo.
No Índice Global da Paz, Burkina Faso aparece em 149º lugar entre 163 países e em 138º entre 142 no critério “Ordem e Segurança” do Índice de Estado de Direito. Não há estatísticas públicas precisas sobre criminalidade. O Estudo Global sobre Homicídios observa que mais de 9.300 pessoas foram mortas em incidentes violentos no Sahel em 2022, embora seja quase impossível determinar os motivos exatos. O fácil acesso a armas alimenta inúmeros conflitos – alguns ligados a tensões sociais, como disputas entre agricultores por recursos, outros motivados por questões políticas ou religiosas.
A presença de embaixadas na capital não indica segurança nem um setor turístico desenvolvido. Grupos extremistas já atacaram até edifícios governamentais e locais públicos movimentados, incluindo restaurantes no centro da cidade. Roubos de rua, tráfico de pessoas, especialmente envolvendo crianças, e crime organizado são generalizados. O governo adotou medidas para estabilizar a situação e obteve algum progresso, mas a falta de recursos e a corrupção mantêm a realidade local extremamente tensa.
República Democrática do Congo (RDC)
- Capital: Kinshasa
- População: 103,3 milhões
A República do Congo e a República Democrática do Congo são 2 nações distintas. Embora ambas tenham enfrentado conflitos internos desde a independência, apenas uma aparece de forma recorrente entre os países mais perigosos do mundo.
A RDC ocupa o 13º lugar no mundo e o 7º na África em número de ataques terroristas e vítimas. No Índice Global da Paz, aparece em 159º lugar entre 163 países. No Índice de Estado de Direito, supera apenas Venezuela, Camboja, Afeganistão e Haiti, ficando no mesmo patamar de Myanmar e Nicarágua.
Dados sobre criminalidade estão disponíveis apenas nos relatórios da ACLED, que registraram um pico de atividade terrorista em 2024, e no Índice Global de Crime Organizado, no qual a RDC ocupa o 5º lugar no mundo e o 1º na África.
O país enfrenta tráfico de pessoas, recrutamento de crianças por grupos armados e tráfico ilícito de armas. Também abriga a maior floresta tropical da África, fortemente afetada pela exploração ilegal de madeira devido à alta corrupção e à fiscalização frágil. Apesar de alguns esforços governamentais, o país segue como um polo importante do comércio ilegal de marfim.
Outros problemas graves incluem tráfico de drogas, numerosos grupos armados, tanto rurais quanto urbanos, governança política frágil, sistema judicial disfuncional e policiamento ineficaz.
Nigéria
- Capital: Abuja
- População: 232,8 milhões
A Nigéria é um exemplo marcante dos contrastes africanos. É o país mais populoso do continente e um dos mais ricos em recursos naturais. Está entre os 10 maiores exportadores de petróleo do mundo e, ao mesmo tempo, aparece em quase todos os rankings negativos – não apenas na África, mas globalmente.
No Índice Global de Terrorismo, a Nigéria ocupa o 8º lugar, atrás apenas de Somália, Afeganistão, Síria, Paquistão, Mali, Israel e Burkina Faso em nível de ameaça. No Índice Global da Paz, está na zona vermelha – 147º lugar entre 163 países. No Índice de Estado de Direito, aparece em 120º entre 142, e no Índice de Criminalidade, em 11º entre 147.
Segundo o Índice Global de Crime Organizado, a Nigéria enfrenta desafios graves, incluindo tráfico de pessoas, comércio ilegal de armas, tráfico de drogas, gangues armadas, corrupção e tensões políticas e sociais.
“Assaltos, agressões, invasões a residências, roubos de veículos, estupros, sequestros e extorsões ocorrem regularmente. As autoridades de segurança geralmente respondem lentamente e muitas vezes não têm recursos para prestar apoio investigativo às vítimas”, informa o site do Departamento de Estado dos EUA.
O governo do Reino Unido também alerta seus cidadãos sobre o alto risco de ataques terroristas na Nigéria, especialmente nos estados de Borno, Yobe e Adamawa.
Somália
- Capital: Mogadíscio
- População: 17,6 milhões
Localizada na costa leste da África e fazendo fronteira com Quênia, Etiópia e Djibuti, a Somália aparece de forma constante entre os países mais pobres do mundo. O país está, na prática, fragmentado em territórios controlados pelo governo ou por grupos extremistas e terroristas.
Nos últimos anos, o governo reduziu o número de ataques terroristas e vítimas, mas o país ainda ocupa o 7º lugar nessa categoria e é considerado um dos mais perigosos do mundo. Em 2023, foram registrados 193 incidentes, com 434 mortes – quedas de 37% e 43%, respectivamente, em relação ao ano anterior.
Estatísticas confiáveis de criminalidade são difíceis de encontrar, provavelmente por causa do conflito em andamento e dos desafios na coleta de dados. Ainda assim, a Numbeo coloca a Somália em 17º lugar no mundo em percepção de criminalidade, e o país aparece em 45º no Índice de Crime Organizado.
Entre os principais problemas estão a atividade de grupos terroristas, tráfico de pessoas, escravidão, incluindo escravidão sexual, extorsão, contrabando de armas, pirataria e captura de grandes felinos silvestres, como guepardos e leões, para venda ao Oriente Médio.
O Departamento de Estado dos EUA atribui à Somália o alerta máximo para turistas: “Nível 4 – Não viajar”.
Sudão
- Capital: Cartum
- População: 48,3 milhões
Este país do leste africano atualmente tem pouca ou nenhuma ameaça terrorista e uma taxa de criminalidade comparativamente menor do que a de outros países desta lista. No entanto, a guerra civil iniciada em 2023 fez do Sudão um dos países mais perigosos do continente e do mundo. O conflito tem sido marcado por confrontos armados, massacres de civis e uma crise humanitária cada vez mais profunda. Mesmo estimativas não oficiais conservadoras sugerem que o número de mortos pode ter chegado a 15.000–30.000 em meados de 2024.
O Sudão ocupa a 75ª posição entre 147 países no Índice de Criminalidade da Numbeo e a 33ª no mundo, 8ª na África, no Índice de Crime Organizado. O país continua sendo ponto de origem e trânsito para o tráfico de pessoas. Refugiados, mulheres e crianças são as vítimas mais frequentes. Outros problemas disseminados incluem contrabando de armas, contrabando de ouro e tráfico de drogas. Substâncias ilegais são transportadas por navios cargueiros e pesqueiros e distribuídas tanto internamente quanto para outros países.
África do Sul
- Capitais: Pretória (administrativa), Cidade do Cabo (legislativa), Bloemfontein (judiciária)
- População: 62,2 milhões
Localizada no extremo sul do continente, a África do Sul faz fronteira com Namíbia, Botsuana, Zimbábue, Moçambique e Eswatini. Dentro de seu território fica o enclave de Lesoto. Ao aparecer nesta lista, a África do Sul também exemplifica os fortes contrastes do continente. É o país economicamente mais desenvolvido da África, rico em recursos minerais, e o único membro africano do G20, além da União Africana como bloco.
O Institute for Economics and Peace coloca a África do Sul na parte mais baixa do Índice Global de Terrorismo, com ameaça terrorista praticamente inexistente, e em 127º lugar no Índice Global da Paz. Para comparação, os EUA ocupam a 132ª posição no mesmo índice. No Índice de Estado de Direito, a África do Sul aparece em 57º lugar, à frente de países como Bulgária, Moldávia, Tailândia, Índia, China, Rússia e outros.
Então por que ela é considerada um dos países mais perigosos? Por causa dos índices de criminalidade e das redes de crime organizado.
Segundo o Estudo Global sobre Homicídios, a África do Sul registrou quase 25.000 mortes violentas em 2021 – número que aumentou mais 14% em 2022. No Índice de Segurança, Joanesburgo e Cidade do Cabo ficaram em 172º e 174º lugar entre 181 cidades, respectivamente. A Numbeo coloca a África do Sul em 5º lugar no mundo em criminalidade, atrás de Venezuela, Papua-Nova Guiné, Haiti e Afeganistão.
Entre os problemas disseminados estão tráfico de pessoas, inclusive para comércio de órgãos, tráfico ilegal de armas, caça ilegal de rinocerontes, leões e elefantes, distribuição de drogas, inclusive exportações em larga escala, e redes de crime organizado que controlam todos esses mercados por meio de vínculos corruptos em todos os poderes do governo.
República Centro-Africana (RCA)
- Capital: Bangui
- População: 5,2 milhões
Localizado na África Central, o país faz fronteira com Sudão, Sudão do Sul, RDC, República do Congo, Camarões e Chade. É um dos países menos populosos, mais pobres e mais perigosos não apenas da África, mas do mundo. No Índice Global da Paz, a RCA aparece bem dentro da zona vermelha – 150º lugar entre 163.
Há mais de 10 anos, o país está mergulhado em uma guerra civil, acompanhada por conflito militar, agitação social, instabilidade política e violência disseminada contra civis. Essas condições, somadas a uma grave crise humanitária, tornam o acompanhamento estatístico extremamente difícil. Como resultado, a RCA não aparece no Estudo Global sobre Homicídios, no Índice de Criminalidade da Numbeo nem no Índice de Segurança.
Diversas instituições internacionais manifestaram sérias preocupações com o tráfico de pessoas. As vítimas incluem moradores locais e estrangeiros, especialmente refugiados de países vizinhos, considerados entre os mais vulneráveis. O conflito em andamento e as fronteiras porosas levaram a uma alta demanda por armas de fogo ilegais e armamentos leves. Em alguns casos, segundo o Índice Global de Crime Organizado, esse comércio ilícito é controlado por oficiais militares.
Grupos armados estão envolvidos em quase todos os tipos de atividade criminosa – da mineração ilegal e sequestros ao contrabando e ao tráfico de vida selvagem. Além disso, há numerosas pequenas gangues atuando no país. Esses grupos não fazem parte de uma rebelião organizada, mas praticam roubo de gado, agressões, assaltos e comércio ilegal de ouro, diamantes e armas. Para muitos, esse tipo de crime funciona como substituto do emprego estável, diante da falta de fontes alternativas de renda. A situação econômica e humanitária crítica leva muitos funcionários do Estado e integrantes das forças de segurança a colaborar com as gangues.
Camarões
- Capital: Yaoundé
- População: 29,7 milhões
Localizado na África Central, Camarões é considerado um dos países mais autossuficientes do continente, mas quase metade de sua população vive abaixo da linha da pobreza. A situação vem se deteriorando rapidamente por causa de uma crise humanitária provocada por conflito armado. Isso aparece nos dados do Institute for Economics and Peace: Camarões ocupa o 12º lugar no Índice Global de Terrorismo, dentro da zona vermelha ao lado de outros países instáveis do Sahel e do Oriente Médio. O país aparece em 137º lugar no Índice Global da Paz e em 133º no Índice de Estado de Direito.
O crime organizado em Camarões é impulsionado por grupos terroristas, milícias separatistas e gangues urbanas de jovens. Suas atividades incluem ataques, sequestros mediante resgate, extorsão, contrabando, tráfico de drogas e armas, furtos e lavagem de dinheiro. A identidade dessas pessoas muitas vezes é difícil de determinar, pois muitas vêm de países vizinhos especificamente para “trabalhar” nessas redes.
Outros problemas importantes incluem a ligação de alguns funcionários do governo com grupos criminosos, corrupção disseminada, extração ilegal de madeira para exportação à Europa e à Ásia, além de caça ilegal. Por causa desses fatores, Camarões já perdeu várias espécies animais, incluindo guepardos e rinocerontes-negros.
Perguntas frequentes sobre os países mais perigosos da África
De acordo com dados de 2024–2025, os países mais perigosos da África são: Burkina Faso, Mali, República Democrática do Congo, Nigéria, Somália, Sudão, África do Sul, República Centro-Africana e Camarões.
Esses países aparecem em posições altas em quase todos os índices e avaliações, embora a natureza das ameaças varie. Em alguns, o terrorismo está em alta; em outros, o principal problema é o crime organizado.
Essa lista pode ser ampliada para incluir Líbia, Moçambique, Níger, Chade, Sudão do Sul, Etiópia, Costa do Marfim e Kenya.
Isso não significa que os viajantes necessariamente enfrentarão perigo em cada um desses países, mas é altamente recomendável verificar a situação atual, por exemplo na mídia local, antes de viajar e consultar os alertas de viagem do governo do seu país.
Segundo os dados oficiais mais recentes do Índice de Criminalidade da Numbeo, a África do Sul tem a maior taxa de criminalidade da África. O país ocupa a 5ª posição no ranking global, com níveis constantemente altos de crimes violentos, incluindo agressões, roubos, sequestros-relâmpago de veículos e homicídios.
O Global Study on Homicide também registrou quase 25.000 mortes violentas na África do Sul em 2021, reforçando sua posição como o país africano com a maior taxa de criminalidade.
Segundo a mais recente análise da Altezza Travel, os países mais seguros do continente africano são: Maurício, Gana, Zâmbia, Namíbia, Marrocos, Tunísia, Egito e Tanzânia.
A Tanzânia, em especial, atrai todos os anos um grande número de viajantes internacionais que chegam para visitar seus parques de safári mundialmente conhecidos ou subir o Kilimanjaro.
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