Todos em Ruanda falam kinyarwanda, a principal língua nacional do país. Além dela, Ruanda tem 3 outros idiomas oficiais: inglês, francês e suaíli.
Ruanda tem 4 idiomas oficiais: kinyarwanda, inglês, francês e suaíli. Cada um recebeu status oficial em um momento diferente da história do país, em meio a circunstâncias históricas específicas. O domínio colonial belga introduziu o francês, enquanto o inglês ganhou força depois de 1994, quando refugiados retornaram de países africanos de língua inglesa. O suaíli tornou-se idioma oficial apenas em 2017, como parte dos esforços de Ruanda para fortalecer laços com outros países da África Oriental. O kinyarwanda, por sua vez, é idioma oficial desde a independência do país, em 1962.
Nesse sentido, os 4 idiomas oficiais de Ruanda refletem a história do país. Onde e quando cada um é usado? E o inglês é suficiente para se virar durante uma viagem? Continue lendo este post do blog da Altezza Travel para saber mais.
Idiomas oficiais de Ruanda
A pesquisa EICV7 de 2023–2024 mostrou que mais de 75% dos ruandeses com 15 anos ou mais sabem ler e escrever em pelo menos 1 idioma oficial. O censo de 2022 trouxe um retrato mais detalhado, estimando a taxa geral de alfabetização entre ruandeses com 15 anos ou mais em 78,8%. Dentro dessa faixa etária, 54% sabiam ler, escrever e se comunicar de forma eficaz apenas em kinyarwanda, enquanto cerca de 14% conseguiam fazer o mesmo em kinyarwanda e inglês. O inglês é o idioma oficial da educação, por isso muitos ruandeses o entendem e conseguem falar em algum grau.
Veja mais de perto como os 4 idiomas de Ruanda ganharam status oficial e passaram a fazer parte da vida cotidiana.
Inglês em Ruanda
O inglês é idioma oficial de Ruanda desde 2003, quando foi incorporado à Constituição ao lado do kinyarwanda e do francês. Em 2008, tornou-se o único idioma de ensino no sistema educacional do país, da escola primária à universidade. Também foi adotado como idioma oficial de trabalho do governo.
O inglês começou a ganhar espaço em Ruanda em 1994. Muitos ruandeses que haviam passado anos vivendo em países vizinhos de língua inglesa, especialmente Uganda, começaram a voltar para casa. Trouxeram o idioma consigo, e o inglês se espalhou rapidamente pela sociedade ruandesa.
Em 2009, Ruanda entrou para a Comunidade das Nações como seu 54º membro, tornando-se apenas o 2º integrante, depois de Moçambique, sem vínculos históricos ou constitucionais com o Reino Unido. É um detalhe interessante: Ruanda foi primeiro colônia alemã e depois ficou sob domínio belga, mas nunca fez parte do Império Britânico. Após ingressar na Comunidade das Nações, o país também adotou o inglês britânico como variedade preferencial.
Ruanda também tem sua própria variedade de inglês, muitas vezes chamada de inglês ruandês. Ela apresenta traços próprios de pronúncia e gramática, moldados pelo ambiente multilíngue do país, onde o inglês se mistura regularmente ao kinyarwanda e a outras línguas.
Kinyarwanda
O kinyarwanda pertence à família linguística banta. É a língua nacional de Ruanda e é falado por praticamente toda a população. Também é falado em países vizinhos, especialmente na região dos Grandes Lagos.
Na República Democrática do Congo, o kinyarwanda é falado principalmente no leste, sobretudo nas províncias de Kivu do Norte e Kivu do Sul. Em Uganda, é falado sobretudo nos arredores de Kisoro, no sudoeste, perto da fronteira com Ruanda. Na Tanzânia, o kinyarwanda e variedades linguísticas próximas são falados nas áreas de fronteira do noroeste do país.
Em 2010, o governo criou a Rwanda Academy of Language and Culture (RALC), responsável, entre outras funções, por promover e preservar o kinyarwanda. Em 2014, por iniciativa da academia, o governo introduziu novas regras de grafia que alteraram a ortografia em aproximadamente 16%. A reforma gerou forte reação contrária. Críticos argumentaram que o governo impôs as mudanças de cima para baixo, sem consulta pública, e que algumas novas regras se afastavam demais das convenções ortográficas conhecidas.
Após a reação pública, o então ministro do Esporte e da Cultura, Joseph Habineza, afirmou que as novas regras poderiam ser revisadas e, possivelmente, revertidas. No entanto, a RALC foi dissolvida em 2020, e suas responsabilidades foram transferidas para um novo órgão, a Rwanda Cultural Heritage Academy (RCHA). É difícil estabelecer, a partir de fontes publicamente disponíveis, quais mudanças ortográficas de 2014 foram mantidas e quais, se houve alguma, foram revertidas.
Francês em Ruanda
O francês tornou-se o idioma da administração sob o domínio belga, iniciado depois da Primeira Guerra Mundial e mantido até a independência de Ruanda, em 1962. Mesmo depois da independência, o francês continuou a desempenhar um papel importante no governo, na educação e nas relações internacionais.
O marcou um ponto de virada. As relações entre o governo ruandês e a França se deterioraram rapidamente, enquanto muitos refugiados começaram a retornar a Ruanda vindos do exterior. Esses desdobramentos ajudaram o inglês a se espalhar entre a população e a ganhar mais força em nível nacional, enquanto o francês perdeu espaço gradualmente.
Em 2008, o governo ruandês substituiu o francês pelo inglês como idioma de ensino nas escolas do currículo nacional. Ainda assim, o francês manteve seu status oficial e continua sendo uma das línguas oficiais de Ruanda pela Constituição de 2003.
Suaíli
Em fevereiro de 2017, Ruanda tornou o suaíli seu 4º idioma oficial. Hoje, ele é comumente usado nos negócios e no comércio internacional, além de ser ensinado nas escolas. Conceder status oficial ao suaíli foi um passo importante na estratégia mais ampla de integração regional de Ruanda por meio da .
O suaíli é falado em grande parte da África Oriental e Central, estendendo-se da costa do Oceano Índico, a leste, até as regiões centrais da Bacia do Congo, a oeste, e da Somália, ao norte, até Moçambique, ao sul. Também é idioma oficial na Tanzânia, em Uganda e no Quênia.
Segundo o banco de dados linguístico Ethnologue, as estimativas para 2026 situam o número de falantes de suaíli em torno de 95 milhões. Aproximadamente 4 milhões o falam como primeira língua, enquanto outros 91 milhões o utilizam como segunda língua. As estimativas, porém, variam bastante. A UNESCO, por exemplo, cita um número bem mais alto, de cerca de 200 milhões de pessoas, incluindo quem usa o suaíli como segunda língua ou língua adicional.
Embora o suaíli tenha se tornado idioma oficial em Ruanda relativamente recentemente, ele chegou ao país muito antes da colonização europeia. Comerciantes o levaram para o interior, conectando a costa da África Oriental à região dos Grandes Lagos. No fim do século 19, as autoridades coloniais alemãs promoveram o suaíli como idioma-chave da África Oriental Alemã, que incluía Ruanda. Isso deu à língua um impulso considerável em toda a região.
Mais tarde, os belgas tentaram direcionar o foco para o francês, mas o suaíli nunca desapareceu. Continuou em uso no comércio, em comunidades muçulmanas e em cidades próximas às fronteiras.
Perguntas frequentes sobre os idiomas em Ruanda
Sim, o inglês é uma das línguas oficiais de Ruanda. Ele é usado na educação, no governo e nos negócios. No entanto, a maioria dos ruandeses não o tem como primeira língua e, em geral, prefere se comunicar em Kinyarwanda.
São línguas diferentes, embora ambas pertençam à família das línguas bantas e compartilhem algumas semelhanças. O kinyarwanda pertence ao grupo Rwanda-Rundi, enquanto o suaíli pertence a outro ramo banto. Portanto, conhecer uma delas não significa automaticamente que você vá entender a outra.
Sim. São línguas intimamente relacionadas, faladas em países vizinhos: Ruanda e Burundi, respectivamente. Elas têm muito em comum, mas são línguas nacionais distintas, cada uma com suas próprias convenções de grafia.
O inglês é suficiente. Para as interações do dia a dia com os moradores locais, vale aprender algumas frases básicas em kinyarwanda. O francês também pode ser útil em algumas situações.
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