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7 fatos interessantes sobre a África

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Sobre a Tanzânia Sobre a Tanzânia
Por que a África é chamada de “Berço da Humanidade”? É verdade que a aritmética já teria sido inventada aqui há 25.000 anos? Existem mesmo pinguins africanos? Reunimos em um único artigo alguns dos fatos mais interessantes sobre a África.

A África é um dos continentes mais fascinantes do planeta. É o berço da humanidade, abriga uma variedade impressionante de vida selvagem percorrendo suas vastas savanas e está entre os grandes produtores mundiais de ouro e diamantes. Seria possível listar fatos interessantes sobre a África quase sem fim, mas selecionamos 7 curiosidades capazes de revelar o continente mais quente do mundo por outro ângulo. 

Fatos essenciais sobre a África

Tamanho do continente: 2º maior do mundo, com 30.365.000 km².

População aproximada: Mais de 1.528.488.000 no momento da redação. Você pode acompanhar as mudanças dinâmicas da população aqui.

Maior cidade: Cairo, Egito. Em 2024, a população da Grande Cairo é de 22.624.000 habitantes.

Maior país: Argélia – 2.381.741 km², no Norte da África.

Rio mais longo: Nilo – 6.650 km.

Maior lago: Vitória – 68.800 km², no leste da África.

Maior deserto: O deserto do Saara, com aproximadamente 9.200.000 km², estende-se pelo norte da África e é o maior deserto do mundo.

Montanha mais alta: Kilimanjaro, na Tanzânia – 5.895 m.

1. Mais de 25% das línguas do mundo são faladas na África

O primeiro fato surpreendente sobre a África: seus povos usam aproximadamente 2.000 línguas, o equivalente a mais de 25% das línguas vivas do mundo. A UNESCO estima que existam cerca de 7.000 línguas no planeta, embora esse número varie. Segundo o  só na Tanzânia são faladas 122 línguas. Uma delas é institucional, ou seja, é usada e apoiada por instituições além do ambiente doméstico e comunitário. Estamos falando do suaíli, ensinado nas escolas como língua principal.
Na Tanzânia, 76 línguas estáveis estão atualmente em uso. Embora não sejam apoiadas por instituições oficiais, continuam comuns na comunicação informal. Além disso, 43 línguas estão à beira da extinção, e 2 já são consideradas extintas.

A língua mais falada nos países africanos é o árabe. Além do árabe e do suaíli, o continente abriga muitas outras línguas, frequentemente descritas como línguas isoladas. Elas são faladas principalmente dentro de grupos étnicos específicos. Um bom exemplo é a língua hadza, conhecida por suas consoantes singulares, pronunciadas com estalos característicos.

2. O continente africano é o “Berço da Humanidade”

Cientistas concordam que a África é o local de origem dos hominídeos (lat. Hominidae), uma antiga família de primatas considerada ancestral dos humanos modernos. Alguns artefatos arqueológicos encontrados em escavações em diferentes partes do continente dão fortes motivos para acreditar que ancestrais humanos viveram aqui há cerca de 4.000.000 de anos ou mais.

Um exemplo é a famosa garganta de Olduvai, localizada a apenas 150 km da cidade de Arusha, na Tanzânia, hoje frequentemente chamada de “Berço da Humanidade”. Ali foram descobertos restos de ancestrais humanos e suas ferramentas, datados de cerca de 2.000.000 de anos.

A mandíbula inferior descoberta em 1960 na garganta de Olduvai. Fóssil de Homo habilis. Fonte: britannica.com 
A mandíbula inferior descoberta em 1960 na garganta de Olduvai. Fóssil de Homo habilis. Fonte: britannica.com 
Cópia reconstruída do “Homem Quebra-Nozes” — um crânio de 1.750.000 anos encontrado em 1959 na garganta de Olduvai. Fonte: britannica.com
Cópia reconstruída do “Homem Quebra-Nozes” — um crânio de 1.750.000 anos encontrado em 1959 na garganta de Olduvai. Fonte: britannica.com
Homo habilis (lat. Homo habilis), ou “Homem Hábil”, é uma espécie de hominídeo, um australopitecíneo altamente evoluído, considerado o primeiro representante do gênero Homo.

A garganta de Olduvai não é o único local da África onde artefatos antigos foram encontrados. Na província de Gauteng, na África do Sul, por exemplo, mais de 500 restos foram revelados em cavernas. As escavações começaram no fim da década de 1890, durante operações de mineração de calcário, e continuam até hoje.

Uma descoberta especialmente sensacional ocorreu em abril de 1947, quando arqueólogos desenterraram o crânio de “Mrs. Ples”, um crânio totalmente preservado de uma fêmea de Australopithecus da Sua idade foi estimada entre 2,6 e 2,8 milhões de anos.
Uma das descobertas mais famosas aconteceu na região de Afar, na Etiópia, entre 1972 e 1974. Pesquisadores encontraram várias centenas de fragmentos do esqueleto de uma fêmea de Australopithecus, apelidada de “Lucy”. Estima-se que ela tenha vivido há 3.200.000 anos. Foi o primeiro esqueleto quase completo desse tipo já encontrado. O nome “Lucy” foi inspirado na música dos Beatles “Lucy in the Sky with Diamonds”, que tocava no rádio durante a descoberta. Muitos anos depois, Luc Besson batizou a personagem principal de seu filme “Lucy” em homenagem a ela.

3. A matemática básica pode ter existido na África há 25.000 anos

A hipótese de que a aritmética básica tenha surgido na África há 25.000 anos nasceu da descoberta de um artefato notável: o osso de Ishango. Essa ferramenta, esculpida a partir da fíbula de um babuíno, traz entalhes agrupados em colunas distintas. Foi encontrada em 1950 na região de Ishango, na África Central, perto do lago Eduardo, no território que hoje corresponde à República Democrática do Congo.

Inicialmente, arqueólogos estimaram que a ferramenta tivesse mais de 9.000 anos. Com tecnologias modernas de datação por radiocarbono, porém, cientistas determinaram que ela tem aproximadamente 25.000 anos.

Os entalhes no osso de Ishango estão organizados em 3 colunas, sugerindo padrões matemáticos claros. Alguns pesquisadores especulam que essa antiga “calculadora” poderia ter sido usada por mulheres para acompanhar ciclos menstruais, enquanto outros acreditam que talvez tenha servido como uma régua logarítmica primitiva.

Para ser justo, nem todos concordam com essa interpretação. Alguns estudiosos defendem que os entalhes serviam apenas para melhorar a empunhadura, sem relação com a aritmética. Se esse artefato representa uma forma inicial de matemática continua sendo uma questão em aberto.

4. A África tem a população mais jovem do mundo

Outro fato fascinante sobre a África é sua população jovem: mais da metade dos habitantes tem menos de 20 anos. Para comparação, a idade mediana global é de 30 anos. A idade mediana divide uma população em 2 grupos iguais: metade das pessoas é mais velha, e metade é mais jovem.

Isso faz da África o continente mais jovem do mundo. No entanto, muitas das razões por trás desse fenômeno são negativas: baixos padrões de vida, economias instáveis, sistemas de saúde precários e altos níveis de emigração para países mais desenvolvidos contribuem para o perfil demográfico africano. Esse quadro é especialmente pronunciado nos países da África subsaariana.

Especialistas preveem que a população jovem da África continuará crescendo, com aumento de 181,4% até 2100. Em contraste, a população jovem da Europa deve encolher 21,4%, e a da Ásia, 27,7%.

5. O continente africano tem uma biodiversidade notável

A África abriga uma diversidade extraordinária de animais selvagens, incluindo espécies emblemáticas e endêmicas que não existem em nenhum outro lugar do planeta. Nesse aspecto, fica atrás apenas da América do Sul. Só de ungulados de dedos pares, há cerca de 90 espécies na África, além de mais de 2.000 espécies de peixes de água doce — mais do que em qualquer outro continente. Outro dado impressionante: mais de 25% das espécies de aves do mundo vivem na África.

A Tanzânia abriga os lendários animais do “Big Five”: elefantes, búfalos, rinocerontes, leopardos e leões. O país também tem a maior população de leões selvagens do mundo, com cerca de 14.500 indivíduos. Outras espécies emblemáticas incluem zebras, girafas, antílopes, hipopótamos, chimpanzés e uma variedade extraordinária de primatas. A lista poderia seguir por muito tempo.

Elefante-africano em seu habitat natural. Fonte: Altezza Travel
Elefante-africano em seu habitat natural. Fonte: Altezza Travel
Filhote de leão escondido na savana. Fonte: Altezza Travel
Filhote de leão escondido na savana. Fonte: Altezza Travel

A Tanzânia conta com áreas protegidas onde muitos desses animais selvagens prosperam. É fácil avistar o “Big Five” no Parque Nacional do Serengeti ou na Área de Conservação de Ngorongoro.

Um fato interessante sobre a África: a Grande Migração dos Gnus é um dos fenômenos mais grandiosos da natureza. Esse movimento ocorre pelas planícies da África Oriental, dentro do ecossistema Serengeti-Mara, que se estende do norte da Tanzânia ao sul do Quênia. Milhões de gnus, acompanhados por centenas de milhares de zebras e gazelas, migram juntos e percorrem cerca de 1.000 km. O ciclo continua ao longo de todo o ano, sempre em sentido horário. É um espetáculo monumental, visível até do espaço.

Apesar de sua biodiversidade notável, a vida selvagem africana permanece sob séria ameaça. Segundo o Relatório Planeta Vivo 2024, do WWF, as populações globais de animais selvagens diminuíram em média 73%, enquanto na África a queda é ainda maior, chegando a 76%. Esses números alarmantes, referentes ao período de 1970 a 2020, resultam da destruição de habitats, das mudanças climáticas e da poluição na maioria dos países africanos.

6. Existem pinguins na África

Aqui vai uma curiosidade que pouca gente conhece, mas é absolutamente verdadeira: existem pinguins na África. Hoje, uma pequena colônia vive na costa do extremo sul do continente africano e nas ilhas próximas. Infelizmente, a espécie está à beira da extinção.

O pinguim-africano (Spheniscus demersus), também conhecido como pinguim-do-cabo ou pinguim-sul-africano, costuma ter porte pequeno a médio, com cerca de 60 a 70 cm de altura. Como todos os outros pinguins, essa espécie não voa. Em vez disso, apresenta manchas rosadas características de pele acima dos olhos e uma máscara facial preta.

Pinguim-africano na Boulders Beach, na Cidade do Cabo. Fonte: wikimedia.org. Autor: Bl1zz4rd-editor
Pinguim-africano na Boulders Beach, na Cidade do Cabo. Fonte: wikimedia.org. Autor: Bl1zz4rd-editor
O habitat do pinguim-africano está marcado em roxo. Fonte: wikimedia.org
O habitat do pinguim-africano está marcado em roxo. Fonte: wikimedia.org

Uma história curiosa sobre os pinguins-africanos envolve o explorador português Quando ele e sua tripulação chegaram ao extremo sul da África, tornaram-se os primeiros europeus a ver essas aves aquáticas. Como católicos portugueses, eram proibidos de comer carne às sextas-feiras, mas podiam comer peixe. Dias classificou habilmente os pinguins como “peixes”, já que não voavam e passavam a maior parte do tempo nadando. A decisão permitiu que a tripulação capturasse e comesse pinguins sem culpa em qualquer dia da semana.

7. A África lidera a mineração de ouro e diamantes

A África domina as exportações globais de metais preciosos e minerais. O continente é um grande produtor de urânio para a indústria nuclear, platina para joalheria, além de níquel e cobalto para baterias recarregáveis — componentes essenciais em smartphones e laptops.

No entanto, os 2 recursos mais valiosos da África são o ouro e os diamantes. O continente responde por cerca de 65% da produção mundial de diamantes em valor, enquanto a região de Witwatersrand, na África do Sul, segue como a maior produtora de ouro e a jazida aurífera mais famosa do mundo.

Um fato interessante sobre a África: em 22 de agosto de 2024, um diamante de 2.492 quilates — um dos maiores já encontrados — foi descoberto em Botswana pela empresa canadense Lucara. A descoberta notável reafirmou o status de Botswana como potência mundial dos diamantes. A gema é avaliada em mais de US$ 40.000.000.

Infelizmente, a mineração de diamantes na África desencadeou numerosos conflitos armados e guerras civis. Por esse motivo, diamantes provenientes dessas regiões costumam ser chamados de “diamantes de sangue”.

Em 2003, a ONU introduziu o Sistema de Certificação do Processo de Kimberley (KPCS) para impedir que os recursos da mineração de diamantes financiassem conflitos e grupos terroristas. Embora o KPCS tenha reduzido o comércio de diamantes de sangue, questões relacionadas a violações de direitos humanos na força de trabalho africana e à degradação ambiental permanecem sem solução.

Publicado em 9 janeiro 2025 Atualizado em 26 maio 2026
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Sobre o autor
Yana Khan

Yana é redatora da Altezza Travel e tem experiência em jornalismo desde 2015. Antes de se juntar à nossa equipe, trabalhou como editora no setor de mídia.

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