A Autoridade do Parque Nacional do Kilimanjaro reconhece 7 rotas oficiais para o Kilimanjaro. Este guia apresenta cada uma delas em detalhes para ajudar montanhistas a escolher a opção mais adequada aos seus interesses e ao seu nível de preparo físico. Cada rota tem seus próprios atrativos, das paisagens ao grau de dificuldade e, sobretudo, aos perfis de aclimatação.
Perfil de aclimatação
A aclimatação à alta altitude varia em cada rota por causa da localização dos acampamentos noturnos, da inclinação da trilha e da distância diária de trekking. O cume é o teste final da aclimatação: subidas de 7 dias ou mais têm uma taxa de sucesso nitidamente maior para alcançar o cume do que trekkings de 6 dias ou menos. A aclimatação influencia a chegada ao Pico Uhuru mais do que qualquer outro fator, incluindo idade ou mesmo condicionamento físico. Por exemplo, um grupo de montanhistas mais velhos em um programa Lemosho de 7 dias, um dos melhores perfis de aclimatação, tem mais chances de chegar ao cume com sucesso do que uma equipe de atletas jovens em uma variação de 5 dias pela rota Marangu.
A melhor transição de aclimatação está nas variações de 7 dias das rotas Lemosho, Machame e Rongai. Se o tempo for curto, as variações de 6 dias de Lemosho e Marangu são boas escolhas.
A menos que você seja um montanhista experiente e já esteja aclimatado, escolher uma variação de 6 dias da rota Machame não é uma boa ideia. Embora Machame seja uma excelente trilha em outros aspectos, seu roteiro mais curto é bastante exigente e tem uma taxa de sucesso consideravelmente menor.
Nível de experiência
Devido aos diferentes perfis de aclimatação das rotas de trekking no Kilimanjaro, a Altezza recomenda Lemosho, nos roteiros de 7 e 8 dias, ou Machame, em 7 dias, para iniciantes. A Northern Circuit também é um trekking excelente, com boa aclimatação; montanhistas interessados em mais informações sobre essa rota podem entrar em contato com o escritório da Altezza.
Quem já tem alguma experiência em trilhas pode considerar outras rotas no Kilimanjaro, como Marangu e Rongai. Ainda assim, recomendamos fortemente uma aclimatação prévia para aumentar as chances de sucesso. Antes de tentar o Kilimanjaro, é possível passar um período significativo em altitudes mais elevadas no país de origem ou chegar ao cume da 2ª montanha mais alta da Tanzânia, o monte Meru, como preparação.
Paisagens
Depois do perfil de aclimatação e do nível de experiência, a paisagem costuma ser o próximo grande fator na escolha de uma rota no Kilimanjaro. À primeira vista, pode parecer um detalhe secundário, mas esse aspecto influencia muito a subida ao Kilimanjaro como um todo: o trekking, as fotografias e as caminhadas diárias na montanha mudam conforme o cenário. Os primeiros dias de um trekking pela Lemosho atravessam o famoso planalto Shira, com seus panoramas amplos e magníficos. A rota Machame, por sua vez, começa em uma floresta tropical densa, com flora e fauna particulares, e sobe até um ambiente alpino, incluindo a passagem pelo Muro de Barranco. Cada rota revela uma perspectiva própria da beleza do continente africano aos montanhistas.
Além do cume imponente, os principais marcos do Kilimanjaro são:
O Muro de Barranco é um dos pontos mais icônicos do Kilimanjaro. À primeira vista, parece intimidador e quase intransponível, mas a aproximação dissipa o receio: há uma trilha bem marcada que conduz até o alto.
Os montanhistas passam pelo Muro de Barranco ao fazer a subida do Kilimanjaro pelas rotas Lemosho, Machame ou Umbwe.
O planalto Shira abre aos montanhistas vistas panorâmicas grandiosas da antiga caldeira, hoje colapsada, de um dos vulcões do Kilimanjaro. A região é rica em flora, com muitas flores e plantas endêmicas encontradas apenas no Kilimanjaro. O planalto Shira faz fronteira com o Parque Nacional Amboseli, no Quênia, e animais selvagens costumavam circular livremente entre os 2 ecossistemas; por isso, um ranger armado acompanhava os grupos que passavam por Shira. Hoje, porém, é pouco provável avistar animais selvagens no planalto Shira, e o acompanhamento de um ranger armado já não acontece. Ainda assim, as vistas ali são deslumbrantes.
O planalto Shira também é o lugar para ver o dendrosenecio kilimanjari, uma planta singular encontrada apenas ali.
A travessia pelo planalto Shira faz parte da rota Lemosho na sua subida.
Floresta tropical. O Kilimanjaro tem flora e fauna ricas, além de um ar incrivelmente fresco ao longo da trilha que passa pela floresta tropical. É justamente ali que vivem alguns dos animais do Kilimanjaro, especialmente os macacos-azuis e os colobos-brancos.
Você passa por uma floresta tropical ao subir o Kilimanjaro pelas rotas Marangu e Machame.
Floresta tropical de coníferas cresce no lado norte do Kilimanjaro, e a única rota que atravessa essa área é Rongai.
Movimento nas rotas
Algumas rotas são mais populares do que outras. Isso não significa que sejam melhores; acontece simplesmente porque seus pontos de início ficam mais próximos do centro turístico de Moshi, e muitos operadores preferem começar seus trekkings dali. Quem gosta de caminhar em meio a grupos numerosos e variados certamente vai aproveitá-las, mas quem busca uma subida mais tranquila deve escolher uma rota mais remota.
As rotas mais movimentadas do Kilimanjaro são:
- Rota Marangu – a mais movimentada de todas, recebe cerca de metade dos montanhistas do Kilimanjaro.
- Rota Machame – a 2ª mais popular, escolhida por cerca de 1/3 dos viajantes.
OBSERVAÇÃO: isso vale apenas para a alta temporada, veja abaixo. Na estação das chuvas, essas e outras rotas ficam quase livres de grupos de trekking.
Temporada
O clima no Kilimanjaro e na Tanzânia como um todo é um fator importante na escolha da rota. Ao contrário da Europa ou das Américas, o país não tem “inverno”, “primavera”, “outono” e “verão” no sentido tradicional. Em vez disso, há 2 estações secas e 2 estações chuvosas. Em linhas gerais, o calendário é o seguinte:
A estação seca quente vai do fim de dezembro ao início de março. Para muitos montanhistas, este é o melhor período: faz bastante calor e as chances de chuva são pequenas. Como coincide com as férias de Natal, a época se torna especialmente atraente para a subida. Também é quando as rotas Marangu e Machame ficam bastante cheias.
Em meados de março começa a estação chuvosa quente, que vai até o início de junho. Em certas rotas, as trilhas do Kilimanjaro ficam encharcadas e menos definidas, e a estrada para Lemosho muitas vezes se torna inacessível. Rongai, porém, por estar no lado norte, costuma receber menos umidade; Marangu, com hospedagem em cabanas em vez de barracas, também é uma boa alternativa para esse período.
A estação seca retorna em meados de junho e dura até o início de outubro. Essa estação seca é consideravelmente mais fria do que o período entre o fim de dezembro e o início de março, mas a diferença não é tão perceptível durante a caminhada. É também quando as rotas voltam a ficar movimentadas.
Em meados de outubro as chuvas começam novamente e seguem até o fim de novembro, completando o ciclo anual.
De modo geral, do fim de dezembro ao início de março e de meados de junho ao início de outubro são os períodos em que as rotas Machame e Marangu ficam bastante movimentadas. Lemosho, Rongai, Umbwe e Northern Circuit podem ter alguns grupos na trilha, mas ainda preservam mais privacidade durante o trekking no Kilimanjaro.
OBSERVAÇÃO: dependendo do roteiro, a rota Lemosho se junta à Machame no Acampamento Barranco no 3º ou 4º dia da viagem; a partir dali, as rotas seguem pelo mesmo caminho até o cume. Por isso, espere que a trilha fique mais movimentada do que no início da subida.
A Northern Circuit usa o acampamento de cume Kibo na parte final da jornada, e os montanhistas compartilham o caminho com quem está subindo o Kilimanjaro pela rota Marangu.
Tipo de hospedagem
Em todas as rotas do Kilimanjaro, exceto Marangu, os montanhistas dormem em barracas de montanha, carregadas por uma equipe de carregadores e montadas pelos responsáveis pelo acampamento. Em Marangu, porém, os montanhistas dormem em cabanas especiais de madeira, com beliches em estilo dormitório.
Desvantagens:
1) Como as cabanas são coletivas, é preciso dividi-las com outros viajantes, muitas vezes de outros grupos de trekking, não operados pela Altezza. Algumas pessoas podem ficar acordadas até mais tarde, conversando, ou roncar durante a noite, o que acaba atrapalhando seu sono.
Dependendo do acampamento, cada cabana em Marangu acomoda de 8 montanhistas, em Mandara e Horombo, a 16, em Kibo.
2) Não há como adicionar itens extras de conforto nas cabanas. Nossa equipe consegue montar camas de acampamento macias dentro das barracas espaçosas, mas, na rota Marangu, os montanhistas não têm outra opção além de dormir nos beliches de madeira.
Vantagens:
1) As cabanas funcionam um pouco melhor durante a estação das chuvas. Nossas barracas são bem isoladas e protegem os montanhistas da precipitação, mas não há como evitar poças que podem se formar ao redor da barraca durante a noite. Já as cabanas de Marangu são construídas sobre bases firmes de concreto.
2) Algumas pessoas acreditam que as cabanas sejam mais quentes, mas consideramos isso discutível. Depois de medir a temperatura dentro de uma cabana e dentro de uma de nossas barracas, concluímos que as barracas são, na verdade, mais quentes.
Observe que, ao contrário das cabanas de outros destinos de montanha populares, como o monte Elbrus, as cabanas de Marangu não têm aquecimento, e bons sacos de dormir são obrigatórios.
3) Há tomadas disponíveis nas cabanas. A eletricidade, porém, é gerada por painéis solares e, em dias nublados, a disponibilidade pode ser limitada. De qualquer forma, a maioria dos montanhistas prefere levar power banks.
Confortos adicionais
Na Altezza, trabalhamos para que nossas viagens sejam não apenas seguras, mas também confortáveis. Entre os confortos adicionais estão:
Uso de barracas especiais, bem isoladas, fabricadas pela The North Face, modelo VE-25, normalmente usado em expedições ao Everest. Por padrão, essas barracas acomodam 3 montanhistas, mas, em nossas expedições, usamos 1 barraca para 2 pessoas. Acomodação individual também está disponível. Usamos esse tipo de barraca em nossas subidas em grupo ao Kilimanjaro.
Também temos uma variação especial de barracas para o Kilimanjaro, feita sob encomenda, com espaço suficiente para ficar em pé e montar uma cama de acampamento dentro. Essas barracas são excelentes para quem busca mais conforto no Kilimanjaro.
Cardápio de montanha ampliado – nossos cozinheiros de montanha passam por treinamentos regulares com chefs de restaurante, e temos orgulho de manter uma das dietas mais nutritivas e variadas do Kilimanjaro. Há opções halal, vegetarianas, veganas e sem glúten.
Temos banheiros privativos portáteis e chuveiros para nossas expedições, que os montanhistas podem contratar, além de muitos outros detalhes que tornam nossa operação especial. Você pode ler mais sobre eles aqui.
OBSERVE que, de acordo com as regras do Parque Nacional do Kilimanjaro, não é permitido usar barracas, banheiro privativo ou chuveiro privativo na rota Marangu, onde os montanhistas dormem em barracas e fazem as refeições em refeitórios compartilhados.
Como escolher a rota de subida ao Kilimanjaro?
A rota ideal depende do preparo e das preferências de cada montanhista. A aclimatação prévia e a experiência em outras montanhas indicam seu nível de preparo; as preferências envolvem o interesse por uma rota mais longa e cênica ou por uma trilha mais movimentada, com mais oportunidades de encontrar outros montanhistas.
Não existe uma rota “melhor”; operadores que anunciam isso passam uma informação enganosa. A escolha da rota para fazer o trekking no Kilimanjaro é individual, e nossos gerentes estão sempre disponíveis para ajudar você a tomar a decisão certa.
Ao mesmo tempo, com base na experiência dos nossos montanhistas anteriores, podemos dizer com segurança que as rotas que mais recomendamos são:
Para subidas na estação seca, do fim de dezembro ao início de março e do início de junho ao início de outubro, recomendamos:
Cênicas, menos movimentadas e com excelente aclimatação
- Rota Lemosho, viagens de 8 e 7 dias
- Rota Rongai, viagem de 7 dias
Cênica, popular entre montanhistas e com excelente perfil de aclimatação:
- Rota Machame, viagem de 7 dias. Observe que a variação Machame de 6 dias tem um perfil de aclimatação muito pior.
A Northern Circuit também é uma ótima escolha, mas apenas se você estiver pronto para caminhar mais do que nas outras rotas e passar mais tempo no Kilimanjaro. Ela é cerca de 30 km mais longa do que Lemosho e, por isso, exige 1 dia a mais.
Para subidas na estação das chuvas, recomendamos a rota Marangu de 6 dias, porque as cabanas protegem melhor contra a chuva e também porque Marangu não fica tão movimentada com outros montanhistas nesse período.
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