Fazer o trekking até o Campo Base do Everest ou alcançar o ponto mais alto da África, o Kilimanjaro? Essa é uma pergunta que quase todo entusiasta de trekking se faz em algum momento. Continentes diferentes, altitudes diferentes acima do nível do mar e níveis de dificuldade distintos. Neste artigo, os editores da Altezza Travel comparam as 2 trilhas para ajudar você a escolher sua próxima expedição: Nepal ou Tanzânia.
O trekking ao Campo Base do Everest
O trekking até o Campo Base do Everest, a 5.364 m de altitude, é uma das rotas mais populares do mundo e atrai cerca de 40.000 pessoas por ano. A jornada começa em Kathmandu, capital do Nepal, de onde os viajantes pegam um voo panorâmico até a cidade de Lukla.
A rota até o Campo Base do Everest
A expedição ao Campo Base do Everest, às vezes chamada de trekking EBC, começa quase imediatamente após a chegada a Lukla. Depois do café da manhã, o grupo segue em direção ao vilarejo de Phakding, onde passa a 1ª noite. O percurso leva até 5 horas. A altitude máxima alcançada nesse dia é de 2.610 m.
No dia seguinte, a caminhada até a cidade sherpa de Namche Bazaar dura cerca de 7 horas. Devido ao ganho significativo de altitude – até 3.440 m –, muitos grupos passam até 2 dias ali para permitir que o corpo se aclimate. O nível do mar já ficou bem para trás. O "dia de descanso" costuma incluir caminhadas, visita ao museu local e vista do Everest a partir de um mirante localizado no hotel mais alto do mundo, o Everest View, a 3.880 m.
Namche Bazaar é frequentemente chamada de último bastião da civilização, embora isso não seja totalmente verdadeiro. À frente está um trekking de vários dias, com paradas de 1 ou 2 noites em vilarejos sherpas como Tengboche, Dingboche e Lobuche. O roteiro inclui caminhadas de pelo menos 6 horas e vistas deslumbrantes da cordilheira do Himalaia. Nesse trecho, o grupo sobe para acima de 5.000 m.
Depois da aclimatação em Lobuche, começa o dia principal da expedição: a subida ao Campo Base do Everest. Primeiro, o grupo segue para Gorak Shep, o povoado mais alto do planeta, localizado a 5.164 m acima do nível do mar. Dali, a subida final avança por terreno irregular até 5.364 m de altitude. Você chegou!
O retorno a Lukla leva de várias horas a vários dias, dependendo da rota escolhida. Os operadores organizam o caminho de volta por vales e lagos de montanha ou, para quem tem orçamento, de helicóptero.
Seja qual for a opção, a rota passa por vilarejos sherpas de montanha, pontes suspensas, o Parque Nacional de Sagarmatha, Patrimônio Mundial da UNESCO, monastérios, florestas densas e rios glaciais. Tudo isso emoldurado pelos cumes nevados das montanhas mais altas do mundo.
Esses elementos tornam o trekking uma jornada marcante, dando aos viajantes a chance de conhecer de perto a cultura e a natureza do Nepal e também de caminhar pelos passos de montanhistas: tanto os primeiros a atacar o cume do Everest quanto aqueles para quem o Campo Base não é o destino final, mas o ponto de partida de uma expedição muito maior.
Como é o clima no trekking ao Campo Base do Everest?
No verão, o clima desta região é influenciado pela monção indiana, que traz chuva e nuvens. A partir do fim de setembro, começa uma estação mais quente e seca, com temperaturas diurnas chegando a +20 °C e temperaturas noturnas caindo para +5 °C.
Os meses de outono e primavera são os mais favoráveis para o trekking. Nesses períodos, o movimento nas rotas pode rivalizar com as ruas movimentadas de Kathmandu.
O inverno traz ventos fortes, temperaturas baixas e neve. Ainda assim, alguns consideram essa estação favorável: as trilhas ficam menos cheias, e as condições climáticas rigorosas representam um bom desafio para viajantes mais experientes.
Qual é o nível de dificuldade do trekking ao Campo Base do Everest?
O trekking ao Campo Base é classificado como moderadamente difícil e não exige treinamento profissional. Ainda assim, mesmo estando em altitude mais baixa, ele pode parecer mais exigente do que a subida ao Kilimanjaro.
Duração e distância: a expedição costuma durar cerca de 2 semanas e envolve longas distâncias, com ganho constante de elevação. Por isso, é essencial considerar o efeito da fadiga acumulada. A opção de voltar a Lukla de helicóptero não foi criada como atração turística.
Tempo em altitude: embora o cume do Kilimanjaro seja mais alto, os trilheiros que pretendem completar o trekking ao Campo Base do Everest passam mais tempo em altitude, o que aumenta o risco de sintomas do mal de altitude.
Terreno: a rota inclui travessia de glaciares e trechos sobre terreno rochoso. Somado a outros fatores, isso torna a jornada bastante exigente.
Clima: o tempo no Himalaia é imprevisível. Mudanças repentinas de temperatura, neve ou ventos fortes, que podem ocorrer até fora dos meses de inverno, tornam o trekking ainda mais desafiador.
Riscos: a cordilheira do Himalaia é propensa a terremotos, capazes de desencadear deslizamentos e avalanches. Embora isso seja raro na rota do Campo Base, é um risco que não deve ser ignorado.
Subida ao Kilimanjaro
O cume do Kilimanjaro, Uhuru Peak, se eleva a 5.895 m acima do nível do mar, o que faz dele o ponto mais alto do continente africano e a montanha isolada mais alta do mundo. A semelhança de altitude em relação ao trekking ao Campo Base do Everest, assim como a acessibilidade para iniciantes, explica por que muitos trilheiros escolhem entre essas 2 rotas. No entanto, ao contrário do trekking no Nepal, na Tanzânia você sobe um dos lendários "7 Cumes", em vez de caminhar apenas até sua base.
Graças à proximidade do vulcão com a linha do Equador e às suas zonas climáticas verticais, os montanhistas atravessam sucessivamente boa parte dos climas da Terra – de plantações de banana e café a florestas tropicais e desertos árticos. 8 rotas levam ao cume do Kilimanjaro: Lemosho, Umbwe, Marangu, Machame, Rongai, Northern Circuit, Kilema e Western Breach. Essa divisão é bastante arbitrária, já que muitas trilhas podem se unir no início, perto do cume ou durante a descida. Uma das mais populares e adequadas para diferentes perfis é a rota Lemosho, de 7 dias. Ela tem um programa de aclimatação gradual, paisagens amplas e deslumbrantes e a maior taxa de sucesso: 94,9%. Vamos observar essa rota mais de perto.
Trekking no Kilimanjaro: as rotas
O 1º dia da expedição é dedicado à chegada ao Aeroporto do Kilimanjaro (JRO) e ao check-in no hotel. Ao contrário do trekking ao Everest, em que o grupo começa a trilha quase imediatamente depois de pousar em Lukla, aqui você tem 1 dia para descansar após o voo.
Na manhã seguinte, os montanhistas encontram a equipe de apoio e seguem de veículo até 3.414 m de altitude, no planalto Shira, dentro do Parque Nacional do Kilimanjaro. O deslocamento leva cerca de 3 a 4 horas, seguido por mais 2 horas de caminhada até o 1º acampamento de altitude, "Shira 1". Não há ganho de altitude significativo nesse dia, e a 1ª noite sob as estrelas da Tanzânia acontece a 3.610 m acima do nível do mar.
No 3º dia, a subida ao Kilimanjaro continua até o acampamento "Shira 2", a 3.850 m de altitude. A caminhada não exige grande esforço físico, permitindo que os montanhistas apreciem as paisagens africanas. Em especial, há a oportunidade de subir o Cathedral Peak, a 3.872 m, de onde se tem uma vista clara do monte Meru e de um vale que lembra um "mundo perdido". Depois de 2 horas de descanso no acampamento, é feita uma caminhada de aclimatação, com ganho de até 200 m de altitude antes da descida de volta.
Pela manhã, os montanhistas seguem para um ponto-chave da rota: Lava Tower. O ponto alto do trekking, com duração de até 8 horas, será o almoço a mais de 4.600 m de altitude. Depois, vem a descida até Barranco Camp, a 3.900 m, de onde se avista uma enorme parede rochosa – a Barranco Wall. No dia seguinte, os montanhistas enfrentam esse trecho. A trilha não é perigosa; a subida leva cerca de 1 hora. Depois, haverá tempo para fotografar o monte Kibo e descansar antes do trekking até Karanga Camp, a 3.995 m de altitude, seguido por outra caminhada de aclimatação.
No 6º dia, a subida continua até Barafu Camp, a 4.640 m de altitude. O trekking leva no máximo 4 a 5 horas. O restante do tempo é reservado para descanso e sono.
A noite de ataque ao cume começa no 7º dia. Tecnicamente, ela não é especialmente difícil; o principal desafio é a altitude. O sucesso do dia de cume depende em grande parte do profissionalismo da equipe de apoio. Os guias precisam monitorar o ânimo e a condição física dos montanhistas, escolher o ritmo mais adequado e prestar assistência individual quando necessário.
Os montanhistas mais determinados e resistentes terão a chance de ver o nascer do sol acima das nuvens, com vista para as planícies africanas. No cume, há tempo para recuperar o fôlego, tirar fotos e, se desejarem, descer até o glaciar mais próximo. Em seguida, vem a descida até Barafu Camp, 2 horas de descanso e a continuação da descida até Millennium Camp, localizado perto da floresta tropical, a 3.950 m de altitude. No total, os viajantes passarão até 14 horas em movimento e percorrerão 15 km.
Na manhã do 8º dia da expedição, os participantes sentirão um alívio significativo com a altitude mais baixa. Depois do café da manhã, a descida continua até a saída do Parque Nacional, em Mweka Gate, a 1.640 m, seguida por um traslado ao hotel. O ideal é não planejar o retorno para casa nesse mesmo dia. Um voo internacional não é exatamente o que o corpo precisa depois de alcançar o ponto mais alto do continente.
Rotas alternativas até o cume do Kilimanjaro
Machame: outra rota muito popular até o "teto da África", às vezes chamada também de "rota Whiskey". Tem um programa de aclimatação gradual e passa por todas as zonas climáticas do Kilimanjaro. Para iniciantes, recomenda-se optar pela expedição de 7 dias. Nesse caso, a probabilidade de chegar ao cume é de cerca de 93,1%.
Marangu: também conhecida como "rota Coca-Cola", é a única rota em que os montanhistas dormem não em barracas, mas em cabanas de madeira para 4 a 8 pessoas. Isso aumenta significativamente o conforto durante as estações chuvosas. A trilha segue o caminho de Hans Meyer e Ludwig Purtscheller, os primeiros a alcançar o cume em 1889. A taxa de sucesso fica entre 83,8% e 86,6%. Para iniciantes, recomenda-se escolher a expedição de 6 dias.
Rongai: a única rota que passa pela encosta norte do vulcão, pouco visitada. A trilha começa em uma floresta de coníferas e atravessa todas as zonas climáticas do Kilimanjaro – da zona de cultivo, com plantações de café e banana, à zona ártica, com glaciares imponentes. A taxa de sucesso varia de 86% a 86,6%, dependendo da experiência do montanhista e da duração da expedição.
Northern Circuit: a rota mais nova e mais longa do Kilimanjaro, a única em que é possível ver os 4 lados do vulcão. Tem caminhadas longas, ganho gradual de altitude, aclimatação suave e afastamento das trilhas mais populares, embora os primeiros dias da subida sigam a rota Lemosho. É adequada para montanhistas mais experientes, preparados para percorrer longas distâncias com ganho de elevação. As estatísticas mostram que cerca de 81,3% dos trilheiros nessa rota chegam ao Uhuru Peak.
Umbwe: uma das rotas menos populares e, portanto, menos movimentadas nos primeiros dias da expedição. No 3º dia, a trilha se une a Lemosho e Machame, mas até esse ponto é considerada mais exigente por causa da subida íngreme. A rota também passa por todas as zonas climáticas. A taxa de sucesso é de 97,8%. Esse número alto se explica pelo fato de Umbwe ser escolhida por viajantes experientes. Para iniciantes, a taxa de sucesso provavelmente fica em torno de 90%.
Kilema: a única rota criada para subidas de mountain bike. Ela segue pela encosta leste, paralela à Marangu, com a qual se une em Horombo Camp.
Western Breach: uma rota raramente usada, que leva ao cume pela brecha oeste na cratera do Kilimanjaro e por Arrow Glacier Camp, a 4.860 m. A baixa popularidade dessa trilha se deve ao alto risco de queda de rochas.
Como é o clima no Kilimanjaro?
Os períodos mais favoráveis para a subida vão do fim de dezembro ao início de março e de meados de junho ao fim de outubro. Nessa época, a Tanzânia tem clima seco e ensolarado, o que atrai muitos montanhistas ao Kilimanjaro.
Nos outros meses, chove, embora as encostas não fiquem vazias. A chuva costuma cair à tarde, quando os participantes da expedição já estão no acampamento. Os períodos menos movimentados na baixa temporada são início de junho, início de março e fim de outubro.
Montanhistas experientes recomendam tratar essas informações como referência, não como previsão exata. Com o tempo, devido às mudanças climáticas, o clima está ficando mais imprevisível; por isso, é melhor estar preparado para qualquer condição.
É difícil subir o Kilimanjaro?
Subir ao Uhuru não exige experiência nem equipamentos de montanhismo, e os montanhistas também não precisam percorrer longas distâncias nem lidar com o estresse de pousar no aeroporto mais perigoso do mundo. Ainda assim, o pior erro ao se preparar para uma viagem à Tanzânia é subestimar o desafio à frente.
O Campo Base do Everest é mais difícil que o Kilimanjaro?
Em geral, o trekking ao Campo Base do Everest é considerado mais difícil que o Kilimanjaro por causa da duração maior, de 12 a 14 dias, e da permanência prolongada em altitude, o que aumenta o risco de mal de altitude. No entanto, o cume do Kilimanjaro é mais alto, e a subida final exige mais fisicamente.
Os principais fatores a considerar ao subir o Kilimanjaro são:
Tempo para aclimatação: as rotas até o "teto da África" são planejadas para durar de 5 a 8 dias, o que significa que os montanhistas têm metade do tempo para se aclimatar. A resistência dos participantes da expedição e o profissionalismo dos guias são decisivos.
Altitude: uma característica marcante da subida ao Kilimanjaro é o ganho rápido de altitude até 5.895 m, especialmente em algumas rotas. Por isso, iniciantes se beneficiam mais das rotas Lemosho ou Machame de 7 dias, nas quais o risco de mal de altitude é reduzido.
Zonas climáticas: as trilhas passam por várias zonas climáticas em um período relativamente curto. O corpo precisa se adaptar rapidamente não apenas à altitude, mas também às mudanças de temperatura e umidade, o que pode tornar a subida mais desafiadora para algumas pessoas.
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