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Cratera Reusch do Kilimanjaro e a história de Richard Reusch

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Escalada Escalada

O famoso Kilimanjaro, montanha africana, é um vulcão. Todo vulcão tem uma cratera, e o Kilimanjaro tem 2. Dentro da cratera principal, há uma menor, batizada em homenagem a Richard Reusch.

A maioria dos montanhistas que participa de uma expedição ao Kilimanjaro alcança o pico principal, Uhuru. Apenas cerca de 300 pessoas descem até a cratera, entre aproximadamente 50.000 que iniciam a subida. Menos ainda chegam a observar a cratera interna de Reusch. Esse traço singular da história vulcânica do Kilimanjaro pode ser considerado uma raridade pouco conhecida no "teto da África".

Neste artigo, respondemos às seguintes perguntas:

  • O que é a Cratera Reusch?
  • Quem foi Gustav Otto Richard Reusch?
  • Por que a cratera interna do Kilimanjaro recebeu seu nome?
  • Como visitar a Cratera Reusch?

Crateras do Kilimanjaro

O Kilimanjaro é o maior vulcão formado na borda do Rift da África Oriental. Ali, uma placa tectônica está se separando lentamente de outra. Esse processo cria vales profundos, montanhas e vulcões nas bordas. Os vales se enchem de água e formam os Grandes Lagos Africanos: o maior do continente, o lago Victoria; o mais profundo, o Tanganyika; além de muitos outros menores.

O Kilimanjaro é a montanha mais alta e mais conhecida da região, composta por 3 cones vulcânicos que, juntos, formam um único maciço. Os picos, ou cones, do Kilimanjaro, listados de oeste para leste, são Shira, Kibo e Mawenzi. O pico Kibo é o mais alto dos 3, e o pico Uhuru, na borda da cratera de Kibo, é o ponto mais alto da África.

Cratera Kibo

O vulcão Kibo é coroado por uma cratera de paisagem marcante. Talvez você já tenha visto imagens impressionantes desse lugar tão conhecido. Estar na borda de Kibo e contemplar o panorama abaixo é um dos grandes momentos de uma expedição ao Kilimanjaro. Quem desce até a cratera, ou até passa a noite ali, vive uma etapa ainda mais rara da montanha.

 permite passar uma noite no cume do Kilimanjaro. O acampamento fica acima das nuvens, sob um céu tomado por estrelas. O cenário é incomum e marcante: neve cobrindo o solo e temperaturas em torno de -15 °C. As florestas tropicais e as savanas quentes da África ficam muito abaixo, aguardando o retorno.

A Cratera Kibo tem formato circular alongado, com aproximadamente 2,5 km de diâmetro. O pico Uhuru, principal cume do Kilimanjaro, é o ponto mais alto da parede da cratera. A altura das paredes varia de 120 a 350 m.

As temperaturas na cratera costumam variar de -15 °C a +5 °C. À noite, muitas vezes caem abaixo de -10 °C, especialmente nos e durante ventos fortes. Durante o dia, as temperaturas podem subir acima de 0 °C.

Em essência, a cratera vulcânica principal do Kilimanjaro é formada por 3 crateras concêntricas: Kibo, Cone Interno e a terceira cratera, chamada Cratera Reusch. 

Cratera Reusch

Dentro da grande Cratera Kibo, às vezes chamada de por causa de seu tamanho, fica o Cone Interno; dentro dele, está a Cratera Reusch, a mais interna. A área também abriga várias geleiras, sendo a geleira Furtwangler a mais conhecida por sua proximidade com o pico Uhuru. Depois de alcançar o cume, quem ainda tem força para visitar as geleiras normalmente segue até ela em caminhada.

A Cratera Reusch tem 820 m de diâmetro, e suas paredes não são tão altas quanto as da cratera principal, sem ultrapassar 100 m.

Por que a Cratera Reusch é considerada escondida? Ela não é visível a partir do pico Uhuru, o ponto alcançado pela maioria dos montanhistas que seguem rumo ao cume do Kilimanjaro.

Dentro da Cratera Reusch há outra formação intrigante. Ao se aproximar do centro, é possível observar um poço com cerca de 200 m de profundidade, conhecido como Ash Pit. O nome sugere a presença de restos de cinzas vulcânicas. No entanto, "Ash Pit" se refere com mais precisão ao sobrenome do cientista J.H. Ash, que estudou a cratera interna de Kibo em 1943. Essa denominação pode causar confusão pela sobreposição de sentido com a palavra inglesa "ash".

É possível olhar para dentro e descer até o Ash Pit? Sim. Ele tem fundo, e não há emanação de calor, apenas o cheiro de vapores de enxofre. Um canal inclinado a 45°, no lado norte, leva até o interior. Ainda assim, a temperatura medida por uma sonda 30 cm abaixo do piso da cratera é de 78,5 °C. A neve nunca permanece no Ash Pit: derrete imediatamente após cair. O vulcão Kibo é considerado dormente, não extinto, embora não tenha apresentado sinais de atividade desde o início do monitoramento.

A cratera interna recebeu o nome de Richard Reusch em 1954. A seguir, veja quem foi Reusch e por que recebeu essa homenagem.

Richard Reusch

Gustav Otto Richard Reusch foi um alemão nascido no Império Russo em 1891. Mais tarde, viveu por muito tempo perto do vulcão Kilimanjaro, fazendo expedições periódicas à montanha. Em 1954, Edward Twining, governador de Tanganyika, então administrada pelos britânicos, decidiu conceder uma medalha a Richard Reusch. O motivo foram suas 25 subidas bem-sucedidas ao cume do Kilimanjaro. Ao mesmo tempo, decidiu-se batizar a cratera interna do vulcão Kibo com seu nome.

Quem foi esse montanhista chamado Reusch? Por que ele subiu tantas vezes ao "teto da África"? Além das 25 subidas bem-sucedidas, houve também ascensões parciais – no total, ele fez pelo menos 40 tentativas. Algumas fontes mencionam 65 expedições. Parece ter sido por isso que recebeu dos moradores locais o apelido de "Filho de Kibo".

Richard Reusch entrou para a história não apenas por ter subido diversas vezes ao Kilimanjaro. Se você já ouviu a história do leopardo congelado encontrado na neve, em uma área alta da montanha, agora conhece o autor dessa descoberta surpreendente. Foi esse episódio que Ernest Hemingway descreveu em seu conto "The Snows of Kilimanjaro". Reusch descobriu a carcaça congelada do animal em sua primeira expedição, em 1926.

Ao conversar com moradores da região do Kilimanjaro, especialmente os mais velhos, você percebe que Richard Reusch é lembrado como missionário e pregador da missão luterana. Sua memória está ligada à imagem de um cristão compassivo, sempre pronto a ajudar. O trabalho pastoral e de ensino era sua principal ocupação; as expedições à montanha eram mais um interesse pessoal. Sabe-se também que Richard Reusch era orientalista certificado, especializado em Islã, e etnógrafo dedicado ao estudo do povo Maasai.

Sua biografia, como se vê, é bastante movimentada. Vamos olhar mais de perto para sua vida e entender que tipo de pessoa ele foi.

Richard Gustavovich – um alemão do Volga no Império Russo

Richard nasceu em uma família de alemães que vivia no assentamento luterano alemão de Baratayevka, antiga colônia de Bettinger, às margens do Volga, no Império Russo. Assentamentos alemães desse tipo foram formados na região russa do Volga na segunda metade do século 18, por decreto da imperatriz Catarina II. A governante russa vinha de uma família alemã reinante; por isso, quando chegou o momento de colonizar as terras desocupadas da região do Volga, convidou muitas famílias alemãs a se estabelecer ali, concedendo-lhes privilégios. Richard Gustavovich nasceu em uma família com essas raízes, em 1891.

Mais tarde, sua família mudou-se para o norte do Cáucaso, onde Richard estudou em um corpo de cadetes e em uma escola militar. Em Vladikavkaz, surgiram seus primeiros interesses, que permaneceriam com ele por toda a vida. Pelo contato constante com moradores muçulmanos, interessou-se pelo Islã e aprendeu árabe. Na escola militar, começou a praticar montanhismo militar. Viver perto das , cujo pico principal é o Elbrus, favoreceu o desenvolvimento dessa habilidade.

Seu pai, Gustav Reusch, era professor em uma escola paroquial e queria que o filho tivesse formação teológica. O avô de Richard também considerava a carreira militar perigosa demais para o herdeiro mais velho da família e preferia uma atividade eclesiástica mais tranquila. Por insistência deles, Richard deixou o Exército e foi para o outro extremo do vasto império – a cidade de Yuryev – estudar na . Ali, formou-se no seminário luterano, o que definiu seu futuro. Em 1917, 2 revoluções consecutivas ocorreram na Rússia, encerrando a monarquia e levando à Guerra Civil. Como oficial do Exército Branco, Reusch lutou contra o Exército Vermelho bolchevique, mas, quando a cidade de Tartu foi perdida, precisou buscar refúgio na Alemanha e na Dinamarca.

Richard Reusch – missionário na África Oriental

Na recém-criada Rússia Soviética, seu irmão Emil Reusch continuou trabalhando como pastor luterano. Richard Reusch decidiu assumir um cargo na Missão Evangélica Luterana de Leipzig, no centro da Alemanha. Essa organização vinha sendo tão bem-sucedida desde o fim do século 19 que pôde abrir estações missionárias em regiões distantes da Europa, na Índia e na África. Tudo isso criou as bases para um trabalho missionário ativo, desenvolvido nas décadas de 1920 e 1930.

Depois de aprender inglês e suaíli, além de adquirir conhecimentos de enfermagem e tornar-se enfermeiro, Richard Reusch foi enviado em missão à África Oriental. Seu primeiro posto, em 1923, foi a cidade de Arusha, em Tanganyika. Esse era o nome do território colonial governado pela Grã-Bretanha, que mais tarde passou a integrar a Tanzânia continental após a independência.

Nos anos seguintes, o missionário luterano trabalhou em Arusha e Nkoaranga. Em 1926, fez sua primeira subida bem-sucedida ao Kilimanjaro. Chegou ao cume – o pico Kaiser Wilhelm, como o pico Uhuru era chamado na época. Com isso, tornou-se a a subir o Kilimanjaro com sucesso. Além disso, nessa expedição, Reusch descobriu o corpo de um leopardo congelado, fato que o tornou famoso. Na expedição seguinte, teve a ideia de cortar um pedaço da orelha do animal para apresentá-lo como prova da descoberta incomum. Foi uma boa decisão, pois pouco depois a carcaça do animal desapareceu misteriosamente das encostas do Kilimanjaro.

A história do leopardo congelado no Kilimanjaro

Integrantes de uma expedição anterior foram os primeiros a relatar o leopardo, mas é Reusch quem ficou associado à descoberta. Na época, o caso causou grande repercussão e levantou muitas perguntas, principalmente por que o leopardo teria subido tão alto. Seu corpo foi encontrado a cerca de 5.640 m de altitude, na então zona de neve permanente. Hoje, depois de 1 século observando esses animais, sabemos que a altitude máxima a que os leopardos se aventuram é de apenas 5.200 m.

Em "The Snows of Kilimanjaro", publicado 10 anos depois, Hemingway se perguntava: "Ninguém explicou o que o leopardo estava procurando naquela altitude." Richard Reusch, porém, tinha sua explicação. O fato é que, perto do leopardo, outro animal congelado foi encontrado: um antílope. Segundo Reusch, o antílope subia em busca de fragmentos vulcânicos fossilizados para lamber sal, e o leopardo seguiu o antílope. Eles chegaram a uma altitude que provoca sintomas de mal de altitude na maioria dos seres humanos. Quando uma nevasca inesperada começou, os 2 animais não tinham para onde recuar e morreram.

Reusch e seus companheiros moveram a carcaça do leopardo para uma rocha, deixando o corpo do antílope na geleira Ratzel. Na expedição seguinte, Reusch ainda encontrou o corpo do leopardo, e outros grupos de montanhistas também o viram. O lugar chegou a ser marcado como Leopard Point. Mas, em algum momento, Richard Reusch, ao subir a montanha mais uma vez, constatou que os corpos dos 2 animais haviam desaparecido.

Reusch como primeiro líder de expedições no Kilimanjaro

Enquanto vivia aos pés do Kilimanjaro, Richard Reusch continuou seu trabalho missionário. Em 1927, foi enviado a Marangu para dirigir uma escola de seminário para moradores locais. Marangu é um povoado perto da cidade de Moshi. Foi em Marangu que começaram as primeiras expedições ao cume do Kilimanjaro. A rota Marangu, também conhecida como rota Coca-Cola, tornou-se a primeira rota oficial do Kilimanjaro e ainda hoje tem entre todas as rotas do Kilimanjaro.

Vivendo em Marangu, Richard Reusch casou-se com uma enfermeira americana, Elveda Bonander, que trabalhava como voluntária na missão. Ela teve 3 filhos com ele, e seu nome também foi eternizado no Kilimanjaro. Entre Stella Point e o pico Uhuru, a 5.890 m de altitude, fica Elveda Point. Esse ponto, não muito distante da Cratera Reusch, recebeu o nome em homenagem à esposa do missionário.

Richard Reusch no Kilimanjaro
Richard Reusch no Kilimanjaro
Richard Reusch no Kilimanjaro em 1926. Em vez de uma bandeira nacional, ele instalou no cume uma bandeira com uma cruz cristã.
Richard Reusch no Kilimanjaro em 1926. Em vez de uma bandeira nacional, ele instalou no cume uma bandeira com uma cruz cristã.

Um marco importante na história das ascensões ao Kilimanjaro foi a fundação do Mountain Club of East Africa, em 1929. Ele foi organizado por Richard Reusch e Clement Gillman, geógrafo e engenheiro britânico que trabalhava na colônia africana como engenheiro-chefe da Tanganyika Railways. Aliás, essa pessoa também deixou seu nome no Kilimanjaro: a 5.681 m de altitude, há uma placa com a inscrição Gilman's Point. Um pequeno erro – a falta do segundo "l" no sobrenome – passa de uma placa para outra quando elas são substituídas a cada poucos anos. A placa fica no ponto em que a rota Marangu alcança a Cratera Kibo. Esse foi o ponto mais alto atingido pelo engenheiro Gillman.

O Mountain Club of East Africa administrava 3 abrigos construídos até então na rota Marangu, em diferentes altitudes. Eram o Bismarck Hut, o Peters Hut e o Kibo Hut. O clube também era responsável por organizar expedições ao Kilimanjaro. Assim, os membros do clube e a própria organização podem ser considerados os primeiros operadores de expedições atuando no "teto da África".

O Kilimanjaro Mountain Club

O Mountain Club of East Africa mais tarde deu origem ao Kilimanjaro Mountain Club, fundado em 1959 e ainda existente hoje. Até 1973, o clube continuou administrando os abrigos da rota Marangu, reparando-os e reconstruindo-os, até que o Parque Nacional do Kilimanjaro foi criado pelas autoridades tanzanianas e assumiu essa responsabilidade.

Hoje, o clube reúne pessoas que vivem em Moshi e arredores e mantêm interesse pelo Kilimanjaro como referência cultural. O grupo se encontra mensalmente em reuniões temáticas, nas quais palestrantes convidados falam sobre a história do vulcão e sobre acontecimentos atuais ligados à região e às expedições de montanha. O clube possui um amplo arquivo de materiais históricos sobre o Kilimanjaro, acumulado desde as ascensões de Richard Reusch e de montanhistas anteriores.

Por que Reusch pode ser considerado, pessoalmente, o primeiro líder de expedições no Kilimanjaro? Como mencionamos, ele subiu a montanha pelo menos 40 vezes. Na maior parte delas, atuou como guia para grupos e viajantes individuais que queriam ver com os próprios olhos a neve no Equador. A natureza da montanha mais alta da África o fascinava, e ele amava genuinamente a escalada, inspirando e às vezes convencendo outras pessoas a subir a montanha.

Para ele, aquilo não era apenas um hobby, mas também um trabalho rentável. Até 1934, suas atividades missionárias eram sustentadas pela Missão de Leipzig. Pouco depois da chegada de Hitler ao poder na Alemanha, porém, a estação missionária de Marangu deixou de receber apoio, assim como todas as missões alemãs ultramarinas. A renda de Reusch com a organização de expedições permitiu que ele se mantivesse, permanecendo em Tanganyika. Sabe-se também que ele coletava borboletas e vendia essas coleções para levantar recursos.

Richard Reusch – representante do luteranismo americano

Em 1937, Reusch mudou-se para a parte central de Tanganyika, em Singida, ao sul do lago Eyasi. Ali, formou outros missionários e professores para escolas ligadas à igreja. Como a Missão de Leipzig já não lhe dava trabalho, Richard Reusch juntou-se à Igreja Luterana Americana, o Sínodo Evangélico Luterano Augustana. Nos anos seguintes, caberia a ele reunir todas as missões luteranas dispersas pela África Oriental em uma única organização, que passou a liderar. Também continuou formando novos missionários, pregando e defendendo os direitos dos Maasai, que o governo britânico tentava expulsar de seus territórios tradicionais. E, naturalmente, continuou fazendo expedições ao Kilimanjaro.

Vale dizer algumas palavras sobre como os moradores locais o viam. Richard Reusch, como pregador, teve enorme êxito: pessoas vinham de todos os lugares, até de outros vilarejos, para ouvir seus sermões. Ele nunca se recusava a ajudar, indo às casas para rezar pelos doentes e moribundos. Também se diz que era fisicamente forte e muito resistente: levantava sozinho pedras pesadas durante construções. Ainda hoje, nos arredores de Moshi, há quem se lembre dos cultos de Reusch, aos quais era levado pelos pais quando criança. Os paroquianos confiavam em Richard Reusch. Há também um relato de que os Maasai choraram quando Reusch deixou a África, pedindo que ele ficasse.

De tempos em tempos, Reusch viajava de férias aos Estados Unidos para tratar de assuntos das missões na África e recrutar novos missionários. Também deu aulas no Augustana College. Todo esse trabalho ativo lhe rendeu, primeiro, o título de doutor honorário pelo Augustana Theological Seminary e, mais tarde, a cidadania americana. Na África, conseguiu estabelecer por conta própria a primeira missão luterana em Machame. Machame é um vilarejo perto de Moshi, onde começa a segunda rota mais popular até o cume do Kilimanjaro, depois de Marangu. Aliás, nosso escritório – a base de expedições da Altezza Travel – fica em Machame, nas instalações do Aishi Machame Hotel.

Em algumas fontes, Richard Reusch é chamado de espião, mas não está claro o que exatamente os autores querem dizer. Talvez se refiram ao fato de que, vivendo em Tanganyika nas décadas de 1930 e 1940 e viajando por diversas regiões, Reusch informava o governo colonial britânico sobre fazendeiros simpáticos à Alemanha nazista. O próprio Reusch era um anticomunista convicto e opositor do nazismo. Também defendeu os direitos dos povos indígenas de Tanganyika, embora em certa ocasião tenha ficado ao lado dos colonos. Em 1951, durante um conflito entre a administração colonial britânica e o povo Meru, que estava sendo expulso de suas terras, ele apoiou a primeira, o que resultou no rompimento de suas relações amistosas com o Sínodo Augustana. 3 anos depois, deixou a África para sempre, mudando-se para os Estados Unidos. Foi justamente no ano de sua partida que a cratera interna do Kilimanjaro recebeu seu nome.

Livros e a última viagem

Ao todo, Richard Reusch viveu em Tanganyika por mais de 30 anos, tirando férias ocasionalmente nos Estados Unidos e em países vizinhos, como Uganda, onde também praticava montanhismo. Sabe-se que participou de uma operação de resgate no Ruwenzori. Durante a escalada do pico Margherita, em 1938, um grupo de montanhistas italianos enfrentou problemas, e uma expedição foi organizada para resgatá-los. Reusch participou ativamente dela.

Enquanto vivia em Tanganyika, ele também editou um jornal da igreja, traduziu a Bíblia para o suaíli e escreveu diversas notas que mais tarde foram publicadas como livros completos. Começou escrevendo artigos teológicos em suaíli. O problema, porém, era que os paroquianos eram analfabetos; por isso, primeiro precisou criar uma escola. O segundo passo foi escrever a "Short Grammar of Swahili" e livros didáticos simples.

Entre os temas específicos da obra de Reusch estavam o estudo da cultura e do modo de vida Maasai, além do Islã. Enquanto seus livros sobre a vida dos muçulmanos foram publicados, suas pesquisas sobre a vida e as tradições dos Maasai permaneceram em manuscritos. Eles estão guardados nos arquivos do Gustavus Adolphus College e, segundo quem os leu, ainda interessam aos etnólogos hoje.

Em 1931, Reusch publicou o livro popular "Islam in East Africa" e, em 1953, "I Lived Among Muslims". Mais tarde, depois de se mudar para os Estados Unidos, Richard Reusch publicou seu livro mais conhecido, "History of East Africa".

Se você quiser saber mais sobre Richard Reusch, vale ler sua biografia, publicada em 2008. O título é "Loyalty: A Biography of Richard Gustavovich Reusch". O autor foi Daniel Johnson, que conversou com muitas pessoas que conheceram Reusch pessoalmente. Ele visitou vários lugares na Tanzânia onde o missionário viveu. Se não for possível ler o livro inteiro, há um resumo de 7 páginas disponível. Uma seleção de trechos do livro sobre Reusch pode ser encontrada no site de arquivos da extinta Augustana Heritage Association.

O que aconteceu com Reusch depois de sua vida na África? Em Minnesota, ele continuou servindo como pastor em uma igreja luterana por mais 10 anos e lecionou no Gustavus Adolphus College, em St. Peter. Sua última expedição aconteceu aos 79 anos, quando subiu o monte Sinai, significativo para os cristãos. Morreu nos Estados Unidos aos 84 anos. Sua esposa, Elveda Bonander (Reusch), faleceu 2 anos depois. A lápide compartilhada do casal traz a silhueta do continente africano, que uniu seus destinos e foi sua casa por 31 anos.

Como visitar a Cratera Reusch?

Você pode ver a Cratera Reusch durante uma expedição ao Kilimanjaro com descida planejada até a cratera. Se pretende subir a montanha conosco e deseja conhecer a Cratera Reusch, avise-nos com antecedência. Prepararemos o programa da expedição e orientaremos os guias. Para mais detalhes sobre por que subir o Kilimanjaro com a Altezza Travel, consulte nosso blog.

É possível visitar a Cratera Reusch sem uma expedição com pernoite na cratera, escolhendo uma das rotas populares que terminam com a visita ao pico Uhuru? Sim. Durante qualquer expedição, depois de alcançar o pico Uhuru, você pode descer até a geleira Furtwängler e então chegar à Cratera Reusch. O caminho de volta segue diretamente para Stella Point, sem retornar a Uhuru. A caminhada até a cratera acrescenta 2 horas ao tempo padrão de deslocamento desse dia.

Publicado em 17 maio 2024 Atualizado em 26 maio 2026
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Sobre o autor
Dmitriy Andreichuk

Dmitry, nascido na Ucrânia, vive na Tanzânia desde 2014. Além de sua ampla experiência pessoal em subidas ao Kilimanjaro e a outros vulcões da Tanzânia, organizou expedições de grande visibilidade para Red Bull, Wings of Kilimanjaro, Nimsdai e outros atletas e organizações reconhecidos.

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